ONU faz recomendações para reduzir transmissão de coronavírus entre humanos e animais selvagens

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, a Organização Mundial da Saúde Animal e a Organização Mundial da Saúde, OMS, estão pedindo a todos os países a tomar as medidas para reduzir riscos da transmissão do SARS-CoV-2 entre seres humanos e animais selvagens.  

O apelo busca conter o risco de surgimento de novas variantes e proteger tanto as pessoas como a fauna silvestre. As agências da ONU pedem às autoridades para adotarem normas pertinentes e difundir as recomendações já publicadas para as pessoas que trabalham em contato direto com animais selvagens e também para o público em geral.  

Mortes  

Já se sabe que o coronavírus, que causa a Covid-19, também infecta espécies animais e sua propagação pode afetar a saúde e facilitar o surgimento de novas variantes. Segundo a OMS, quase 6 milhões de pessoas morreram pela doença em dois anos de pandemia.   

FAO e OMS destacam que os animais selvagens soltos, os que estão em cativeiro e os de fazenda, além de felinos, furões, veados e macacos podem se infectar pelo SARS-CoV-2. Também está comprovado que muitos desses animais podem transmitir o vírus que causa a Covid-19 para os humanos e existe inclusive um estudo em andamento sobre uma possível transmissão entre um veado de cauda branca e uma pessoa.  

Foto: Unsplash/Andres Medina
Macaco na floresta Amazônica.

Formação para evitar contágio  

Nos Estados Unidos, um terço dos veados selvagens de cauda branca foram infectados com o coronavírus, a princípio devido a vários casos de transmissão entre humanos.  

As agências da ONU recomendam que as pessoas que trabalham em contato direto com a fauna silvestre recebam formação sobre como aplicar medidas de redução de risco de transmissão da Covid-19 entre pessoas e animais.  

Evidências atuais indicam que as pessoas não se contaminam com o coronavírus após o consumo de carne. Porém, caçadores não devem apanhar animais que parecem doentes ou os que já se encontram mortos.  

O uso de técnicas adequadas em açougues e na preparação de alimentos, incluindo técnicas de higiene, podem limitar a transmissão do coronavírus e de outros patógenos zoonóticos.  

Dicas para público em geral  

As recomendações para o público em geral são as seguintes: as pessoas não devem ficar próximas nem se alimentar de animais selvagens, nem tocar ou comer os que estão órfãos, doentes ou mortos. Nestes casos, o ideal é contactar as autoridades locais responsáveis pela gestão da fauna ou um profissional de saúde especializado no setor.  

OMS e FAO reforçam a importância de descartar de forma segura os alimentos não consumidos, máscaras, panos ou qualquer outro resíduo humano para evitar atrair animais silvestres, especialmente em áreas urbanas e se possível, manter os animais domésticos longe dos selvagens e dos seus excrementos.  

Pesquisadores amazonenses sequenciam principal genótipo causador de doença em pacientes com HIV 

A pesquisa, intitulada “Investigação dos genótipos e sensibilidade a antifúngicos dos agentes causadores de criptococose no estado do Amazonas”, obteve informações importantes para traçar o perfil epidemiológico de pacientes com criptococose portadores de HIV e em pacientes sem HIV. 

Com o resultado, pode-se observar que o perfil epidemiológico entre os dois grupos são totalmente distintos. Entre os pacientes com HIV, notou-se a predominância de homens jovens, cuja principais representações clínicas foram dor de cabeça, vômito e perda de peso. 

Quando estudados os agentes causadores, foi detectado a predominância do genótipo VN1 do fungo cryptococcus neoformans em 89,4% dos casos. Ao sequenciar os genes, foi descoberto que 97% destes casos eram da linhagem SP-93. 

“Ou seja, nós colocamos o Amazonas no mapa e explicamos qual é a linhagem principal causadora de cryptococcus neoformans aqui, que é semelhante no nosso estado”, disse o pesquisador João Vicente de Souza, coordenador do projeto, durante a apresentação. 

Já nos pacientes sem o vírus do HIV, observou-se a predominância de casos em pacientes do sexo feminino. O principal agente causador neste cenário foi o cryptococcus gattii, sendo o genótipo SP-20 o mais comum. O mesmo genótipo também foi responsável por epidemias nos Estados Unidos e no Canadá. “Esse agente está sendo especial. Quando a gente diz que encontramos, entre 11 pacientes não HIV, quatro casos com esse genótipo, chama atenção”, disse o pesquisador.  

PPSUS – O Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS) é uma iniciativa de fomento à pesquisa em saúde nas Unidades Federativas (UF), que promove o desenvolvimento científico e tecnológico, visando atender as peculiaridades e especificidades de cada UF brasileira e contribuir para a redução das desigualdades regionais.

FOTO: Érico Xavier/ Fapeam