Cacique Raoni pede ajuda a Lula para demarcação de terras indígenas e valorização da Funai

O cacique Raoni, um dos símbolos da luta pela causa indígena no Brasil, por intermédio da princesa Marie-Esméralda Léopoldine da Bélgica, pediu ajuda ao ex-presidente Lula (PT), para que o petista, caso eleito presidente da República, “comprometa-se com a demarcação de todas as terras indígenas do Brasil, (com o) fortalecimento da Funai e nomear um indígena para presidir a fundação encarregada da questão indígena”.

Lula se reuniu nesta terça-feira, (24.05.22), com Marie-Esméralda, que fez a visita em caráter pessoal, como ativista da causa ambiental. Ela é tia do rei Filipe, atual monarca do país.

Antes de São Paulo, a princesa belga, participou da inauguração de uma exposição de fotos feitas pelo seu pai, o rei Leopoldo III, em Manaus. Imagens que foram produzidas durante uma série de viagens do antigo monarca belga à Amazônia no início da década de 1960. Marie-Esméralda também esteve na região do rio Xingu

Ativista engajada pelo clima e pelos direitos indígenas, a princesa passou cinco dias “muito emotivos” na aldeia de Raoni, no Xingu, no Mato Grosso, 60 anos depois de seu pai, o rei Leopoldo III, conhecer ali o cacique, ainda muito jovem.

Com o outro (Bolsonaro) não pode

“É fundamental que os direitos dos povos indígenas e a demarcação estejam no centro das eleições. Decidimos ir fazer esta reportagem com o indígena mais lendário, o cacique Raoni”, explicou à AFP a princesa, que está filmando um documentário e esteve acompanhada da ONG Planète Amazone.

“Foi ele quem me pediu que transmitisse esse pedido a Lula, com quem quer estabelecer um diálogo. Com o outro candidato não pode”, acrescentou, em alusão ao presidente Jair Bolsonaro.


A princesa Esmeralda disse ter conhecido Lula em São Paulo nesta terça-feira “como jornalista e ativista, não como membro da família real belga”.

Em sua carta, à qual a AFP teve acesso, Raoni pede três coisas a Lula, que é favorito ao pleito em outubro, “caso seja” eleito presidente novamente: “comprometa-se com a demarcação de todas as terras indígenas do Brasil, (com o) fortalecimento da Funai”, nomear um indígena para presidir a fundação encarregada da questão indígena.

Além disso, o cacique nonagenário da etnia caiapó, que denunciou Bolsonaro perante o Tribunal Penal Internacional por “crimes contra a humanidade”, pede que Lula incorpore representantes indígenas de cada região do Brasil no ministério de Assuntos Indígenas, que prometeu criar se for eleito.

Raoni declara voto em Lula

O cacique Raoni Metuktire, considerado a mais importante liderança indígena viva no Brasil, já definiu seu voto nas eleições de 2022: será no ex-presidente Lula (PT).

Aos 91 anos, após ter contraído Covid-19 e perdido sua esposa no ano passado, o kayapó permanece isolado em sua aldeia na Terra Indígena Capoto Jarina, às margens do rio Xingu, no norte do Mato Grosso, mas concedeu entrevista, na última semana, à ONG Repórter Brasil.

Em meio às críticas a Jair Bolsonaro, Raoni foi perguntado sobre qual presidente ele quer ver no poder. “Eu pensei em Lula. Se o Lula assumir eu estarei lá com ele. Nós vamos começar a trabalhar juntos de novo para que as coisas fiquem certas e todos tenham paz. Todos temos que apoiar Lula para que ele assuma esse cargo para que possamos ter tranquilidade. É isso”, declarou o indígena à Agência Repórter Brasil, em outubro do ano passado.

Sobre Bolsonaro, que já afirmou que Raoni é “peça de manobra de governos estrangeiros”, o cacique disse que o objetivo do presidente é “extinguir” os indígenas e também os homens brancos.

“Bolsonaro está fazendo a coisa errada. Ele quer a extinção de nós, povos indígenas. Ele também pensa em destruir vocês (homens brancos). Isso que ele quer. Ele sempre falou que não vai ajudar ninguém. Nem branco e nem indígena. Eu não aceito”, afirmou.

“Bolsonaro tinha falado que ia destruir tudo. Ele sempre falou isso. Eu fiquei escutando e não gostei. As pessoas têm que tirar logo o Bolsonaro para que outro entre no lugar dele. E essa pessoa tem que estar ali para defender o direito de todo mundo e também defender nossos territórios indígenas. Tem uma terra que chama Kapotnhinore  que daqui uns anos eu mesmo estarei lá para demarcar, que eu vou focar para demarcar, pois foi onde meus pais nasceram”, disse ainda.

Raoni  é uma liderança de forte influência mundial. Ele chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz, por iniciativa de ambientalistas e indigenistas. O cacique mantém interlocução com líderes ao redor do planeta, como o papa Francisco e chefes de Estado europeus, como o presidente da França, Emmanuel Macron. Entre o fim de setembro e o começo de outubro, o cacique fará uma visita a Paris, Bruxelas e Londres informou a Planète Amazone.

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